quinta-feira, 14 de abril de 2011

Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo

A avaliação educacional escolar é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade tendo em vista uma tomada de decisão. Qualquer um desses três elementos - julgamento de valor, manifestações relevantes da realidade, tomada de decisão - pode ser perpassado pela posição autoritária ; porém a tomada de decisão é o componente da avaliação que coloca mais poder na mão do professor.
Quanto ao componente "julgamento de valor", há a possibilidade arbitrária do estabelecimento e da mudança de critérios de julgamento, a partir de determinados interesses. O professor pode, por exemplo, reduzir o seu padrão de exigência, se desejar facilitar a aprovação de algum aluno ou até mesmo elevar esse padrão se quiser reprovar alguém. Esse arbitrário, no que se refere ao aspecto do julgamento, pode ser exarcebado a níveis indiscritíveis, devido a inexistência de instância pedagógica ou legal que possa coibir possíveis abusos.
O conselho de classe, quando bem praticado, é a exceção que confirma a regra. Ou seja, foi criado para minorar o exercicío do arbitrário por parte do professor. Além dessas, ainda existem outras manifestações do papel autoritário da avaliação: a comunicação do que se pede num teste pode não ser clara, mas o professor, com sua autoridade, sempre tenderá a dizer que tem razão e que o aluno não sabia e por isso não deu a resposta. Outro uso autoritário da avaliação escolar é a sua transformação em um mecanismo disciplinador de condutas sociais, pois é uma prática comum no meio escolar utilizar o expediente de ameaçar os alunos com o poder e o verdicto da avaliação caso a ordem social da escola ou das salas de aula seja infrigida.
Por todas essas manifestações, a prática da avaliação escolar perde o seu significado constituitivo e de instrumento dialético e se transforma em instrumento disciplinador da história individual de crescimento de cada aluno. Mas para que a avaliação educacional escolar assuma o seu verdadeiro papel de instrumento dialético de diagnóstico para o crescimento, ela terá de se situar e estar à serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a transformação social e não com a sua conservação. Ou seja, torna-se necessário que a avaliação educacional seja efetivamente um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade para uma tomada de decisão; assim ela dependerá desde objetivo e não propriamente das minudências psicológicas de quem, em determinado momento, está praticando um ato pedagógico.

Fonte: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar.20.ed.São Paulo: Cortez Editora, 2009