Venho pedir perdão às inúmeras palavras
que acabei por desperdiçar com quem não
as verdadeiramente merecia...
às palavras que deixei do lado de fora de
minhas tantas poesias...
àquelas pobres palavras que foram por
mim censuradas sem dó nem piedade...
Por favor perdoem-me
palavras contidas em poemas escritos
por mim há não muito tempo atrás
pois decidi que estas não tornarei públicas
jamais...
Palavras, palavras
perdoem-me por ainda não saber usá-las como
Vinicius,Cecília e outros grandes mestres faziam
Usá-las como deveria
Usá-las mas na hora certa
no exato instante em que surgem diante de mim
prontas para ir ao papel...
È que muitas vezes
depois que as leio
sufoco a minha emoção
e deixo que a razão as torne
rídiculas
E então só me resta uma saída:
riscá-las e substituí-las por outras
mais adequadas ou que expressem
melhor o que eu sinto...
Palavras, lhes pergunto:
Haverá pior destino que ser desprezada
por quem as escreveu?
que ser jogada na poeira do passado?
que ser queimada no fogo ardente do esquecimento?
Não,sei que não há...
Porém lamento dizer-lhes
que algumas palavras de certos versos
escritos por mim há algum tempo atrás
acabaram de receber sentença de morte
porque para mim e para aos que as dediquei
hoje nada significam mais...
quarta-feira, 18 de maio de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo
A avaliação educacional escolar é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade tendo em vista uma tomada de decisão. Qualquer um desses três elementos - julgamento de valor, manifestações relevantes da realidade, tomada de decisão - pode ser perpassado pela posição autoritária ; porém a tomada de decisão é o componente da avaliação que coloca mais poder na mão do professor.
Quanto ao componente "julgamento de valor", há a possibilidade arbitrária do estabelecimento e da mudança de critérios de julgamento, a partir de determinados interesses. O professor pode, por exemplo, reduzir o seu padrão de exigência, se desejar facilitar a aprovação de algum aluno ou até mesmo elevar esse padrão se quiser reprovar alguém. Esse arbitrário, no que se refere ao aspecto do julgamento, pode ser exarcebado a níveis indiscritíveis, devido a inexistência de instância pedagógica ou legal que possa coibir possíveis abusos.
O conselho de classe, quando bem praticado, é a exceção que confirma a regra. Ou seja, foi criado para minorar o exercicío do arbitrário por parte do professor. Além dessas, ainda existem outras manifestações do papel autoritário da avaliação: a comunicação do que se pede num teste pode não ser clara, mas o professor, com sua autoridade, sempre tenderá a dizer que tem razão e que o aluno não sabia e por isso não deu a resposta. Outro uso autoritário da avaliação escolar é a sua transformação em um mecanismo disciplinador de condutas sociais, pois é uma prática comum no meio escolar utilizar o expediente de ameaçar os alunos com o poder e o verdicto da avaliação caso a ordem social da escola ou das salas de aula seja infrigida.
Por todas essas manifestações, a prática da avaliação escolar perde o seu significado constituitivo e de instrumento dialético e se transforma em instrumento disciplinador da história individual de crescimento de cada aluno. Mas para que a avaliação educacional escolar assuma o seu verdadeiro papel de instrumento dialético de diagnóstico para o crescimento, ela terá de se situar e estar à serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a transformação social e não com a sua conservação. Ou seja, torna-se necessário que a avaliação educacional seja efetivamente um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade para uma tomada de decisão; assim ela dependerá desde objetivo e não propriamente das minudências psicológicas de quem, em determinado momento, está praticando um ato pedagógico.
Fonte: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar.20.ed.São Paulo: Cortez Editora, 2009
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